Summercase 2008: O festival indie dos espanhóis

Jr. ficou até de boca aberta ao curtir o Summercase no meio da galera

 

Como prometido, o texto do Júnior Sofiati, fiel escudeiro do rock catarina que habita na Espanha, mais precisamente em Madrid. Ele esteve no Summercase 2008 e conta pra gente um pouco de como foi o festival e os principais shows.

18/07 – Dia 1:

 

Dia abrasador na capital espanhola, ou seja, daqueles dias que só pensas em estar numa piscina ou metido dentro de algum lugar com ar-condicionado, mas este já não era meu caso. Me dirijo à Boadilla del Monte, cidade localizada ao sudoeste da região metropolitana de Madrid, onde por terceira vez consecutiva é realizado o Summercase Festival.

 

Tudo ia às mil maravilhas pelo caminho, até chegar na nova linha de metrô que vai de Madrid à Boadilla, coisa que ano passado quando fui ao mesmo festival não havía, só ônibus. Sério, aquele metrô parecia que tirava sarro das pessoas que estavam dentro quase morrendo sufocadas, de tão devagar que ia em certas partes do trajeto. Depois de finalmente baixar e ter esse atraso inesperado, chego em frente à entrada pouco antes das 21hs e já havía perdido The Breeders, porque começaram às 20:15, uma pena, mas de certeza que voltarão ano que vem para Madrid.

 

Entro e já de cara me dirijo ao palco onde estavam tocando The Stranglers, acabavam de começar a primeira música. Aliás, nota 10 para a organização pela pontualidade dos shows, não vi banda nenhuma atrasar mais de 5 minutos. E a tal primeira música era nada mais nada menos que “Skin Deep”, e logo de depois, sem nem darem tempo para piscar os olhos, começam “Peaches”. O show inteiro uma música atrás da outra, como um bombardeio. Foram realmente incríveis, até mais do que esperava. Os pontos altos para mim foram: Duchees, Something Better Change, Walk on By, No More Heroes, Strange Little Girl, Always the Sun e Golden Brown. Posso dizer que dos shows que vi de bandas que estão voltando, esse foi um dos melhores, realmente voltei no tempo, e exatamente aos anos 80. Geralmente muita gente discrimina e fala mal das bandas velhas que voltam, o que acho ridículo. Porque se pensas, quando na minha vida poderia ter visto uma banda como Stranglers? Então penso, melhor ver eles velhos, e talvez com a banda incompleta do que não ver-los nunca.

 

Depois de viajar pelos anos 80, fui para o palco onde já estavam tocando algum tempinho os Kings of Leon. Os dois shows “mais ou menos” coincidiram nos horários, Stranglers começou as 21hs, e Kings of Leon as 21:35. Como Stranglers é uma banda mais velha, e com menos chance de voltarem à Madrid, preferi ver o show inteiro e perder o começo do Kings of Leon, já que são uma banda mais nova e com muito mais chances de voltarem logo.

Cheguei pouco antes da metade do show, eram palcos meio distantes um do outro, e além de serem muitas pessoas circulando, sempre entre um show e outro entra aquela vontade de molhar a garganta. Já pego de cara eles tocando Fans, do último disco Because of the Times, que dos 3 discos é o que menos gosto, mas mesmo assim não deixa de ser um puta disco. Logo tocam uma mais baladinha, chamada Arizona, e depois para levantar um pouco os ânimos, detonam Camaro, ambas também do Because of the Times. Parece que cheguei na “parte do último disco”. Saindo um pouco do terceiro disco, tocam King of the Rodeo e Slow Night, So Long, ambas do segundo disco Aha Shake Heartbreak. Não sei se foi impressão minha, mas parece que os caras dividem a sequência de músicas por disco, quase sempre tocavam duas ou três seguidas do mesmo disco. Meu disco favorito deles, disparado, é o primeiro, e já fiquei feliz só de ouvir Red Morning Light, Wasted Time, Joe´s Head e Molly´s Chambers. Resumindo, um show perfeito onde muitas vezes parecia que o disco dos caras estava rolando ali mesmo, de tão bem tocado. O único defeito do show foi a presença de palco, realmente faltou um pouco, mas não fez perder o encanto do show.

 

Acabando o Kings of Leon, outra vez troca de palco, fui dar uma olhada no show do CSS, banda que pessoalmente não sou muito fã, gosto de 2 ou 3 músicas e nada mais. Não porque considero a banda ruim, pelo contrário, considero uma boa banda, mas realmente não é o meu tipo de música. Mas como nesse caso o meu gosto não contava muito, por terem outras pessoas comigo que queriam muito ver, fui dar uma conferida. E tenho que reconhecer que a banda merece o seu respeito. É só ver resposta do público em “cada” música durante o show, acredito que todas as pessoas com um mínimo de bom senso concordariam comigo. São realmente “adorados” na Europa, sem dúvida alguma. Cheguei quando tocavam Off the Hook, a melhor deles na minha opinião.

 

Logo depois de ver pouco mais de meia hora do show do CSS, fui me aproximando do palco onde tocariam os Sex Pistols. Entram os “old punks” e de primeira detonam Pretty Vacant, e nessa hora o Summercase veio quase abaixo. O cômico foi a presença em massa dos punks espanhóis. Quando digo punk, não me refiro às pessoas que somente curtem a música (eu por exemplo “amo” a música punk, mas não sou nem nunca fui um deles), e sim punks com moicanos e roupas rasgadas, muitos deles com certeza “punks de boutique”, porque hoje em dia é mais moda que outra coisa. Bom, e os velhos punks continuam o set list com: Problems, Bodies, Liar, No Feelings, Steppin´Stone, Holidays In The Sun, EMI, Submission, No Feelings, God Save the Queen e fecharam com Anarchy in the UK, ou seja, tocaram o Nevermind the Bollocks quase inteiro. Tocaram outras mais que agora não me lembro, mas o que fiquei triste foi por não tocarem Silly Thing, uma das minhas favoritas. Sem dúvida outro grande show que pode ser considerado entre os melhores de todo o festival. O que me impressionou foi a “simpatia” do Johnny Rotten, que costuma ser rude e grosseiro com o público, nessa noite estava mais que simpático. Brincando com o público, fazendo perguntas sobre o que as pessoas achavam do EUA no Iraque, esse tipo de coisa. E o que me assustou foi ver o Steve Jones mais que inchado, sério, parece que o sujeito ía explodir. Já o Glen Mattlock e o Paul Cook continuam os mesmo magrelos de sempre, só que com rugas.

 

Depois de ver um show desses só me restava estar mais do que feliz por ter incluído no currículo de shows outra banda clássica que ouvia desde moleque.

Bom, como já estava contente com a noite, me dava igual que banda ver naquele momento, então fui ver Kaiser Chiefs. Essa banda faz um tremendo sucesso na terra das touradas. Vi eles ano passado no mesmo festival, não é uma banda que gosto muito, se toca em alguma festa, está bem, mas não é o tipo de banda que baixaría ou compraría algo. O que posso dizer do show deles é que é um show muito divertido, com muita interação com o público e são todos ótimos músicos, sem contar a produção, de primeira. Fiquei impresionado (ano passado e ainda mais esse ano) como as pessoas gostam e sabem todas as músicas deles, sem dúvida fazem mais sucesso aquí do que no Brasil.

 

E para encerrar a noite, a banda espanhola Los Planetas. Em todo o festival não vi mais nenhuma banda espanhola depois deles, ou por coincidir com outras coisas que queria ver, ou por serem muito cedo, e cheguei ambos dias perto das 21hs, senão ninguém aguenta.

 

Tinha ouvido falar muito nessa banda Los Planetas, através dos amigos da minha ex-banda aquí na Espanha, No Aloha. Sempre falavam muito bem, que são muito adorados por aquí, e foram adorados ainda mais nos anos 90. Mas sinceramente, depois de ouvir tantos bons comentários, posso dizer que tive uma grande decepção. Eles fazem um tipo de indie pop que no meu conceito só posso chamar de uma coisa: chata, parada, com letras ainda mais chatas e sem sentido, ou seja, música para boi dormir. Tentam ainda misturar umas coisas eletrônicas para tentarem serem modernos, mas sem sucesso. Tudo que acabo de comentar sobre essa banda é somente o meu ponto de vista. Porque acredito que o ponto de vista dos espanhóis não era o mesmo. Realmente o que me falavam era verdade. Nesse show se pôde ver como pessoas daqui adoram eles, cantando todas as músicas. E à medida que o show seguia, as pessoas se entregavam ainda mais. Como em mim o “efeito” dos Los Planetas não funcionava, só me restou ir embora, também já bastava, depois de mais de 8hs de música no máximo volume, só queria descansar.

 

19/07 – Dia 2:

 

Segundo dia fazendo ainda mais calor que o primeiro, mas pelo menos a viagem de casa à Boadilla del Monte foi mais curta. Dessa vez escolhi a mesma opção do ano passado, o bom e velho busão, e o melhor, com ar-acondicionado.

 

Bom, agora voltando ao rock and roll. Cheguei mais ou menos na metade do show da Grinderman, a banda paralela do Nick Cave. Não conhecia nem nunca tinha ouvido falar (desculpe a minha ignorância) que o Nick Cave tinha uma banda paralela. Somente sabia que de vez em quando participa em discos de muitos artistas. Realmente a banda me impressionou muito, mas não pela música em si, senão pela presença de palco e pela barulheira que os caras fazem em cima do palco, para deixar surdo qualquer amante dos altos volumes. O tipo de música não fazia muito meu estilo, mas em geral não estava mal. Também é um pouco difícil comentar sobre uma banda que não conheces.

 

Saí um pouco antes de terminar o show para pegar um lugar legal para ver a Blondie, e valeu a pena, porque fiquei bem perto. Para não mudar muito o esquema, começam no horario, e abrem com a bela canção Hanging On The Telephone. Sério, aquele arrepio foi subindo dos pés à cabeça, realmente um show que emociona qualquer fã da música dos anos 80, especialmente fãs do New Wave como eu. E foi continuando assim, uma atrás fa outra, sem falarem muito entre as canções. De segunda mandaram One Way Or Another, e logo depois o grande hit Heart of Glass, música que fez a banda famosa no fim dos anos 70. As músicas que lembro são: The Tide Is High, Picture This, Union City Blue, Dreaming, I´m Always Touched By Your (Presence Dear), Brite Side, Rapture, Sunday Girl, a incrível Call Me (a melhor música deles na minha opinião), e fecharam com Rip Her To Shreds, com a galera fazendo coro naquele tão famoso riff de guitarra. Resumindo: melhor show de todo o festival.

 

A banda em sí é um pouco “morta” no palco, mas a Debbie Harry detona, a mulher pode estar com seus cinquenta e tantos, mas ainda pula e dança muito bem. Depois de já estar satisfeito com um showzasso e ver a “tia” Debbie Harry frente a frente, me dirijo ao palco onde já estavam tocando Interpol.

Já tinha ouvido muito falar dessa banda, mas nunca parei para ouvir com atenção. Apesar de não conhecer a banda gostei do show. Em alguns momentos estava um pouco monótono, não gostei de todas as músicas, mas no geral foi interessante assistir-los. Também é uma banda muito parada no palco, coisa que não gosto muito, mas que é muito comum ver em bandas de indie rock.

 

Acabando o show, rolou aquele tempo para dar uma descansada e tomar algo, para logo depois ver The Verve. Essa banda para mim é mais ou menos como o Interpol, conheço pouco mais de 2 músicas. Outro show interessante de se ver, mas nada que me fez mover o corpo. Vi a metade do show, e já fui embora por não aguentar mais “baladinhas”. Gosto de muitas baladas, mas num festival onde se vê 5 ou 6 shows numa noite, e ainda mais depois de ver Blondie, não rola muito astral para ficar num show de música lenta.

Mas ambas bandas estão de parabéns pela produção do show, com vídeos de fundo, gráficos e luzes muito bem programadas.

 

Como o show do The Verve não animava muito, fomos a ver uma banda japonesa chamada Cornelius. Conheci nesse mesmo fim de semana, através do meu amigo sul-africano Rob, que me acompanhou ao festival. Ele gosta de muita coisa eletrônica, por isso já estava achando que iria ver uns japoneses tocando techno. Que nada! Foi a revelação desse ano do festival, como ano passado foram os Guillemots. Fiquei realmente de cara com a performance dos “japas”. Musicas loucas de verdade, misturando eletrônico, rock and roll e punk. Algumas músicas pareciam músicas de comerciais de TV, muito cômicas.

 

Outra banda que se destaca pela produção. O próprio vocalista, além de compôr todas as músicas, fica controlando os vídeos de fundo ali mesmo, na raça, sem programação nenhuma. Os japoneses são incríveis mesmo, tenho que reconhecer. Logo depois dessa “boa loucura japonesa”, fui dar outra vez aquela descansada, porque ainda estava acabado do dia anterior. Depois de recuperar as forças, fui para o último show (para mim) do festival, Primal Scream. Grande show, para não ficar parado. Conheço pouca coisa deles, mas realmente não parei um segundo. Depois desse show cheguei à conclusão que tenho que prestar mais atenção nessa banda. E para não ficar atrás, também não economizam na produção. Excelente banda, excelente show, excelentes músicos. Banda perfeita para fechar a noite, e o festival. Depois desse show me rendi, e só queria chegar em casa, ainda mais sabendo que tinha quase uma hora de viagem de volta pela frente. Bom, mais um festival na carteirinha, e segundo Summercase. Agora, vamos ver o que rola no ano que vem.

 

Junior Sofiati

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Uma resposta to “Summercase 2008: O festival indie dos espanhóis”

  1. Gugu Says:

    Não dá pra ver as fotos.

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